ILHA DE PAQUETÁ

A Paquetur e Paquetá
Como Chegar / Horários
Passeios / Serviços
Restaurantes / Bares
Hotéis / Pousadas / Balneários
 
Agenda de Eventos
Exposições / Acervos
Notícias da Ilha
 
Mapas
Telefones Úteis
O Bairro e Sua História
Geografia / Economia
Patrimônio / Id. Cultural
Legislação Específica
 
Fórum de Debates
Classificados
 
Fale Conosco
 
Casa de Artes Paquetá
Projeto Bem Me Quer
 
PATRIMÔNIO E IDENTIDADE CULTURAL

LENDAS
MÚSICAS
GRANDES VULTOS
ENTIDADES CULTURAIS


ARQUITETURA

0104.jpg (27152 bytes)

A colonização da Ilha de Paquetá é tão antiga quanto à da Cidade do Rio de Janeiro. O fato de ser uma ilha com seu isolamento geográfico, aliado à legislação de preservação, contribuíram para que boa parte de seu acervo arquitetônico fosse preservado.

Apresentamos, a seguir, exemplos relevantes de arquitetura da Ilha:


0024.jpg (9763 bytes)

Paquetá:

Tranquilidade e segurança.

Venha conhecer!!


casart.JPG (16862 bytes)

Casa de Artes Paquetá
Cultura, Souvenirs e Refeições.

0039.jpg (17451 bytes)

As Edificações

O Solar Del Rei - Hospedagem de D. João VI, Biblioteca. Endereço: Rua Príncipe Regente, 55.

O Pagode Chinês - Um raro exemplo de arquitetura oriental no Brasil.Endereço: Praça de São Roque, 35

A Casa de Artes Paquetá - Um eclético sobrado da segunda metade do século XIX. Endereço: Praça de São Roque, 31

Os anexos da Casa de Artes Paquetá - Forte inspiração em Gaudi.Endereço: Praça de São Roque, 31

Coreto Renato Antunes. Endereço: Praça de São Roque, s/nº

A Escola Pedro Bruno - Em estilo Neoclássico. Endereço: Rua Padre Juvenal,

0062.jpg (17644 bytes)

0030.jpg (29365 bytes)

Conjunto residencial - Projeto de Francisco. Rua Padre Juvenal,

Chácara dos Coqueiros. Endereço: Praia Pintor Castagnetto,

Capela do Cemitério de Paquetá - Projetada e construída por Pedro Bruno. Endereço: Rua Manoel de Macedo,

Conjunto arquiteônico - Residências . Endereço: Rua Pinheiro Freire.

Conjunto arquiteônico - Residências. Endereço: Rua Dr. Lacerda,

Conjunto arquiteônico - Residências . Endereço: Rua Manoel de Macedo,

Residência . Endereço: Rua Príncipe Regente,

Residência. Praia dos Tamoios,

Chácara da Colônia de Férias União Mesbla. Endereço: Praia das Gaivotas,

0071.jpg (19668 bytes)

0023.jpg (27739 bytes)

Chácara - Residência. Endereço: Praia Grossa,

Casarão Paulo Vitti. Endereço: Praça Fernão Valdez

Preventório Rainha Dona Amélia. Endereço: Praia do Catimbau, s/nº

Residência. Endereço: Rua Feliciana Borges,

Os Muros

O Paisagismo

Caramanchão. Endereço: Praia dos Tamoios, em frente ao nº

O Parque Darke de Mattos. Endereço: Praia José Bonifácio, esquina com Rua Luis de Andrade

O Parque dos Tamoios. Endereço: Praia dos Tamoios.

Cemitério de Paquetá - Projeto de Pedro Bruno. Endereço: Rua Manoel de Macedo.

Pedras, Vasos, Sarjetas

Jardins da Casa de Pedro Bruno - Projeto de Pedro Bruno. Endereço: Rua Furquim Werneck,

0078.jpg (30927 bytes)

0046.jpg (32395 bytes)

Colunas e Bancos - Projeto Pedro Bruno. Endereço: Praça Pedro Bruno

Bebedouro em Pedra - Projeto de Pedro Bruno. Endereço: Praça Pedro Bruno

0084.jpg (22229 bytes)

LENDAS

A identidade cultural da Ilha é rica e única em seu modo de vida e sua ocupação secular é refletida através de várias lendas indígenas, escravas, religiosas, românticas , etc. Apresentamos aqui alguns apaixonantes exemplos.

Rico material adicional sobre o assunto pode ser encontrado no livro Lendas de Paquetá, de Marcelo Augusto Limoeiro Cardoso.

A Lenda da Moreninha

0076.jpg (26740 bytes)

Conforme publicado no livro A MORENINHA, de Joaquim Manuel de Macedo

"Era no tempo em que ainda os Portuguezes não haviam sido por uma tempestade empurrados para a terra de Santa Cruz: esta pequena ilha abundava de belas aves, e em derredor pescava-se excellente peixe.

Uma jovem Tamoya, cujo rosto moreno parecia tostado pelo fogo em que ardia-lhe o coração; uma jovem Tamoya linda e sensível, tinha por habitação esta rude gruta, onde ainda então não se via a fonte que hoje vemos.

Ora, ella que até aos quinze annos era innocente como a flor, e por isso alegre e folgazona como uma cabritinha nova, começou a fazer-se tímida , e depois triste como gemido da rola; - a causa estava no agradável parecer de um mancebo de sua tribo, que diariamente vinha caçar ou pescar na ilha; e vinte vezes já o havia feito sem que uma só desse fé dos olhares ardentes que lhe dardejava a moça.

O nome d’elle era Aoitin; o nome d’ella era Ahy.

A pobre Ahy, que sempre o seguia ora lhe apanhava as aves que elle matava, ora lhe buscava as flechas disparadas, e nunca um só signal de reconhecimento obtinham.

Quando no fim de seus trabalhos Aoitin ia adormecer na gruta, ella entrava de manso e com um ramo de palmeira procurava movendo o ar, refrescar a fronte do guerreiro.

Mas tantos extremos eram tão mal pagos, que Ahy, de cansada, procurou fugir do insensível moço e fazer por esquecel-o; porém, como era de esperar, nem fugiu e nem o esqueceu.

Desde então tomou outro partido: chorou...

Ou porque sua dor era tão grande que lhe podia espremer o amor em lágrimas desde o coração até os olhos, ou porque, selvagem mesma, ella já tinha compreendido que a grande arma da mulher está no pranto; Ahy chorou...

E porque também nas lágrimas de amor há, como na saudade, uma doce amargura, que é veneno que não mata por vir sempre temperado com o reactivo da esperança, que no pranto lhe addicionava a doçura, Ahy cantou...

Seu canto era triste e selvagem; mas terno canto. Dizem que um velho Frade Portuguez, ouvindo-o por tradicção ao depois de muitos annos, o traduziu para a nossa língua, e fez d’elle uma ballada, a qual minha neta canta.

Todos os dias ao romper d’aurora, a pobre Ahy subia ao rochedo que serve de tecto a esta gruta, e esperava a piroga de Aoitin. Mal a avistava de longe, chorava e cantava horas inteiras sem descanso, até que se partia o bárbaro, que nunca della dava fé, nem mesmo quando dormindo na gruta, o canto soava sobre a cabeça.

Mas Ahy era tão formosa, e sua voz tão sonora e terna, que o mesmo que não pôde vencer do insensível moço, pôde do bruto rochedo: com effeito, seu canto havia amollecido a rocha, e suas lágrimas a transpassaram.

E o mancebo vinha sempre, e sempre ella cantava e chorava, e nunca elle a attendia.

Uma vez, e já então o rochedo estava de todo transpassado pelas lágrimas da virgem selvagem... uma vez veio Aoitin, e como das outras não olhou, para Ahy, nem lhe escutou as sentidas cantigas: - Entregou-se a seus prazeres, e quando se sentiu fatigado, entrou na gruta e adormeceu num leito de verde relva. Mas ao tempo em que mais sossego dormia, duas gotas de lágrimas de amor, que tinham passado através do rochedo cahiram-lhe sobre as pálpebras que lhe cerravam os olhos.

Aoitin despertou, e tomando suas flechas, correu para o mar; mas saltando dentro de sua piroga, e afastando-se da ilha, ele viu sobre o rochedo a jovem Ahy, e disse bem alto:

- Linda moça!

No outro dia elle voltou, e já então olhou para a virgem selvagem; mas não ouviu o canto d’ella.

Depois de caçar veiu, como sempre, adormecer na gruta e d’essa vez a gota de lágrima lhe veiu cahir no ouvido; e na volta, não só admirou a belleza da jovem, como, ouvindo a terna cantiga, disse bem alto:

- Voz sonora!

Terceiro dia amanheceu, e Aoitin viu e ouviu Ahy, caçou e cansou; veio repousar na gruta e desta vez a gota de lágrima lhe cahiu no lugar do coração; e quando voltava, disse bem alto:

- Sinto amar-te!

Ora, parece que nada mais faltava a Ahy, e que a ella cumpria responder e este último grito de Aoitin, confessando também o seu amor tão antigo. Mas a natureza da mulher é a mesma, tanto na selvagem como na civilizada. A mulher deseja ser amada, fingindo não amar; deseja ser senhora do mesmo de que é escrava: e pois Ahy nada respondeu; mas riu-se, e suas lágrimas seccaram; porém já a esse tempo muitas que havia derramado tinham dado origem a esta fonte, que ainda hoje existe.

No dia seguinte veio Aoitin, e viu a sua amada que já não cantava, nem chorava: muito antes de abicar à praia, foi clamando:

- Sinto amar-te!

E Ahy não respondeu, e só sorriu-se.

Nada de caça... nada de pesca... já o insensível era escravo, e não vivia longe do encanto que o prendia: correu pois para a gruta, deitou-se; mas não dormiu. Quem ama não dorme; sentiu que em suas veias corria sangue ardente; que seu coração estava em fogo: - era a febre do amor... Aoitin teve sede; a dois passos viu a fonte que manava; correu açodado para ao pé d’ella, e ajuntando suas duas mãos foi bebendo lágrimas de amor. A cada trago que bebia, um raio de esperança lhe brilhava: quando a sede foi saciada, já estava feliz; a fonte era milagrosa.

As lágrimas de amor que haviam tido o poder de tornar amante o insensível mancebo, não puderam esconder a sua origem, e fizeram com que Aoitin conhecesse que era amado.

Então elle não mais buscou sua piroga: sahindo da gruta, fez um rodeio, e foi de manso trepando pelo rochedo, até chegar junto de Ahy, que com os olhos na praia do lado opposto, esperava ver partir o seu amante, e ouvir seu belo grito:

- Sinto amar-te!

Mas de repente ella estremeceu, porque uma mão estava sobre seu hombro: e quanto olhou, viu Aoitin, que sorrindo-se lhe disse, de um bom tom seguro e terno:

- Tu me amas.

Ahy não respondeu; mas também não fugiu dos braços de Aoitin, nem ficou devendo o beijo que nesse instante lhe estalou na face.

Desde então foram felizes ambos na vida, e foi n’uma mesma hora que morrerão ambos.

A fonte nunca mais deixou de existir, e há ainda quem acredite que por desconhecido encanto conserva suas virtudes: - Dizem pois que quem bebe d’essa água não sahe da nossa ilha sem amar alguém d’ella, e volta por força em demanda do objecto amado; e em segundo lugar, querem também alguns que algumas gotas bastam para quem bebe adivinhar os segredos de amor."

A Lenda da Ponte da Saudade

0028.jpg (29703 bytes)

Conforme publicado no livro LENDAS DE PAQUETÁ, de Marcelo Augusto Limoeiro Cardoso

Esta ponta de cais, chamada "A Ponte da Saudade", nem sempre foi assim, tão bem tratada. Recente reforma transformou-a totalmente. Era apenas uma fileira de pedras superpostas que avançavam pelo mar: - rude, como as belezas silvestres do seu tempo; pobre, como os escravos que a fizeram.

Quem passa por ela, não pode imaginar que ali existe a sutileza de uma lenda escrava; uma das mais belas lendas de Paquetá; fruto verdadeiro das senzalas, a relembrar três séculos de opróbrio de uma raça a quem devemos tanto.

Foi plantada neste cais pela superstição dos negros, mas, como estava sobre as pedras, a semente dessa estória permaneceu latente durante um longo tempo, até que um preto-velho, dando-lhe com a mão, fez com que caísse no terreno fértil do folclore: na página que herdamos das crendices africanas. Assim, cresceu e frutificou, e o gosto do seu fruto tem o sabor da estória que este preto nos contou:

-"Tudo aconteceu no tempo em que os escravos desembarcavam neste cais, vindos de Brocoió, onde faziam quarentena, antes de entrar em contato com a população de Paquetá. Por esse fato é que o cenário desta estória teve como palco este lugar.

Seu personagem principal foi um preto forte e triste, chamado pelos negros de João Saudade e, pelos feitores, de João da Nação Benguella. Seu nome criou fama nas senzalas onde, na prosa dos mais velhos, foi um mito, falado e venerado por toda a gente escrava.

João da Naçao Benguella, no tempo do mil réis, foi vendido aqui por 400$000, avaliados pela força e robustez da exuberância muscular do seu contorno.

Dizem que veio da África num dos navios negreiros de Francisco Gonçalves da Fonseca, o dono do "Solar Del’Rei".

Como era de costume, depois da quarentena em Brocoió, veio para ca numa falua, que uma vez por mês encostava neste cais da "Praia das Pedreiras".

João obedeceu com resignação ao costumeiro ritual; porque em seu peito não havia lugar – nem para ódios, nem para revoltas – porque já estava todo cheio de um outro sentimento: a enorme saudade que lhe fazia sofrer por Januária, e lhe fazia viver pelo amor de Loreano, um pretinho rechonchudo; filho deles dois.

João Saudade não podia imaginar o que fora feito deles. Quando foi capturado, não houve tempo nem para um abraço, nem para um "adeus"!

Os anos passavam-se lentos e João passava os anos rezando pelo amor dos dois. No íntimo de si havia uma certeza estranha... uma esperança, que a falange de Iemanjá, que o trouxera sobre as ondas, também traria seus dois amores que, um dia, ele veria chegar naquela "ponte", depois de alguma quarentena em Brocoió. Algo lhe dizia que o destino lhe havia reservado um reencontro... e era por ele, que rezava aos guias e esperava ali a cada desembarque.

Passaram-se os anos. E cada ano que passava era mais longo... mas nenhum, maior que a perseverança de João "Benguella". Durante o dia, trabalhava nas caieiras; e à noite, rezava junto ao cais, conversava com a Lua, falava com as estrelas, molhava os pés cansados nas águas amenas deste mar, e lavava as suas mágoas nas gotas de sereno. Somente quando ouvia o pio das primeiras aves despertadas é que parava de falar com a Estrela Dalva. Olhava para o céu, despedia-se da noite já passada; dava um bom dia para a madrugada e voltava... devagar e triste, para as tristezas da senzala.

Todos os dias João chegava, cabisbaixo... cansado de rezar em vão, por encontrar um lenitivo para a dor desta saudade que, amargurando a sua alma, minava a resistência do seu coração, transbordando-lhe nos olhos refletida em cada lágrima.

João não era apenas um escravo triste. Para alguns dos velhos, era a própria encarnação humana da saudade.

O tempo passava como de costume, no correr dos anos: João, sua Saudade, os desembarques, o velho cais... Mas eis que um dia, João não regressou com os passarinhos... e os escravos, na senzala, deram falta dele e, em vão, o procuraram.

O desaparecimento de João Saudade aconteceu na manhã seguinte de uma 6a feira em que a rotina da noite foi quebrada por um fato de espanto e de mistério: - talvez por dois minutos, um clarão estranho transformou a noite em dia, sem que ninguém soubesse explicar por que! Apenas viram surgir no Céu uma estrela muito grande e muito bela, e os seus raios de luz, iluminando a noite, encheram a "Ponte da Saudade" de um clarão de prata, que foi visto por todos na senzala. Quando o clarão se apagou, João Saudade, que rezava no cais, havia desaparecido juntamente com a estrela brilhante e os seus raios de luz.

Ninguém, jamais, soube explicar o que aconteceu à estrela e a João Saudade que, desde aquela noite desapareceu misteriosamente.

Tornou-se crença dos escravos que aquela estrela foi a falange iluminada de Iemanjá que, pela força da Saudade de João "Benguella", teve permissão do Astral para buscá-lo, pondo fim ao sofrimento do seu Banzo; saudade imensa pela qual viveu, e pela qual sempre pediu para ir embora.

O cais onde João ficava passou a ser chamado de "A Ponte da Saudade", transformando-se em local de reza e ritual dos negros, na esperança de que um dia também, pela força da Fé, fossem levados por alguma estrela... e libertados"

A noite estava bonita... toda estrelada; e o mar, refletindo a luz da lua cheia, era um espelho de prata. Olhamos o Céu, movidos por uma força superior dentro de nós: quem sabe, não poderíamos ver, entre milhares de estrelas tremeluzindo, aquela em que João Saudade encontrou seus dois amores!?

MÚSICA E POESIA

Apresentamos, abaixo, alguns exemplos de músicas relevantes que abordam o tema Paquetá com forte vínculo em sua identidade cultural.

Luar de Paquetá

lua.JPG (7544 bytes)

Versos do Dr. Hermes Fontes Música de F. J. Freire Júnior

 
Nessas noites olorosas,
quando o mar, desfeito em rosas
se desfolha a lua cheia,
lembra a Ilha um ninho oculto,
onde o Amor celebra, em culto,
todo encanto que a rodeia.
Nos canteiros ondulantes,
as Nereidas, incessantes,
abrem lírios ao luar...
A água, em prece, burburinha,
e, em redor da capelinha,
vai rezando o verbo amar.
.
Pensamento de quem ama,
hóstia azul, fervendo em chama,
entre lábios separados...
Pensamento de quem ama,
leva o meu radiograma
ao jardim dos namorados!
Onde é esse paraíso,
o caminho que idealizo,
na ascensão para esse altar?
Paquetá é um céu profundo
que começa nesse mundo,
mas não sabe onde acabar...
.
Sobre o mar de azul rendado,
que é toalha de um noivado,
surge a Ilha-taça erguida:
E o luar-vinho doirado –
enche a taça do Passado
que embriaga a nossa vida!
Ai! que filtro milagroso,
para a mágoa e para o gozo,
para a eterna Inspiração:
o Luar, na mocidade,
abre as rosas da saudade
dentro em nosso coração.
 
Estribilho:
Jardim de afetos,
pombal de amores
Humildes tetos
de pescadores...
Se a lua brilha,
que bem nos dá
Amar na Ilha
de Paquetá

Fim de Semana em Paquetá
João de Barro e Alberto Ribeiro

 
Esqueça por momentos seus cuidados
E passe seu Domingo em Paquetá
Aonde vão casais de namorados
Buscar a paz que a natureza dá
O povo invade a barca e lentamente
A velha barca deixa o velho cais
Fim de semana que transforma a gente
Em bando alegre de colegiais
Em Paquetá se a lua cheia
Faz renda de luz por sobre o mar
A alma da gente se incendeia
E há ternura sobre a areia
E romances ao luar
E quando rompe a madrugada
Da mais feiticeira das manhãs
Agarradinhos, descuidados
Ainda dormem namorados
Sob um céu de flamboyants

 

Hino a São Roque (O padroeiro de Paquetá)

Versos de Gilka Machado (1925)

 
Pela pompa deste dia
De joelho ao teu altar
Na mais intensa alegria
Hoje vimos te louvar
Nossa voz teu nome invoque
Ó mil vezes milagroso!
Ó nosso orago piedoso!
Ó São Roque piedoso!
Ó São Roque, Ó São Roque
Que nos venha o teu conforto
Nos males do corpo e da alma
Desta existência no porto
Possamos sofrer com calma
Possamos ao teu exemplo
Achar delícias na dor...
Doce Orago deste templo
Ó São Roque protetor ...
Amém! Amém!

Latin Lover

(João Bosco e Aldir Blanc)

Nós dissemos
Que o começo é quase sempre inesquecível
E, no entanto, meu amor que coisa incrível
Esqueci nosso começo inesquecível.
Mas me lembro de uma noite sua mãe tinha saído
Me falaste de um sinal adquirido
Numa queda de patins em Paquetá.
Mostra, doeu, ainda dói
A voz mais rouca
E os beijos cometas percorrendo o céu da boca
As lembranças acompanham até o fim
Um latin lover que hoje morre
Sem revólver, sem ciúme e sem remédio,
De tédio.

Para Aquietar

(Luiz Melodia)

O sol vermelho é o clarão do dia

Da ilha longa de Paquetá

Domingo santo ou qualquer dia

Prá aquietar, prá aquietar

Os novos velhos tempos de férias

Cinema atração que sumiu

Machismo, elegância paterna

Prá aquietar, prá aquietar

A noite é brincadeira do dia

O dia é brincadeira do mar

O mar é a brincadeira da vida

Prá aquietar, prá aquietar

Não posso ir pra lá, paraguaio

Para menino dica

Faça o tempo parar

Eu posso acalmar

Qualquer hora posso

Um dia todo posso acalmar

Coral é natural

Café da capital

Da ilha longa nova de lá

Coral é natural

Café da capital

Da roupa nova que uso aqui

GRANDES VULTOS

PEDRO BRUNO

0116.jpg (17796 bytes)

Pedro Paulo Bruno nasceu na Ilha de Paquetá em 14 de outubro de 1888 e faleceu em 2 de fevereiro de 1949.

Desde a infância demonstrou sensibilidade artística interessando-se por toda manifestação que expressasse o belo do gênio humano e da natureza. Gostava de poesia, música e canto lírico, desenho, pintura e escultura.

Foi discípulo de Castagneto, pintor italiano que residiu em Paquetá e juntos passavam as manhãs pintando em algum ponto da Ilha.

Amava tanto a Ilha de Paquetá que a ela dedicou todos os dias de sua vida, fascinado pela natureza exuberante do lugar, suas lendas, suas gentes e seus costumes.

Para ele, Paquetá era um Jardim criado por Deus e sentia em si mesmo a missão divina de conservá-lo, embelezá-lo e protegê-lo. Já naquela época tratava a questão da Preservação Ambiental com profundidade e prioridade, abarcando aspectos não só no âmbito das florestas e animais, mas também do povo paquetaense, como um legado às gerações futuras.

Pintor internacionalmente respeitado até hoje deixou mais de 140 obras de pintura a óleo sobre tela. Um de seus famosos quadros, "Pátria", figura no verso da nota de duzentos mil cruzeiros (duzentos cruzados novos) do antigo dinheiro brasileiro.

Fundou e presidiu a Liga Artística de Paquetá, da qual faziam parte o Comendador Pedro Alambary Luz e Augusto Silva, chegando a ter 22 sócios.

Pedro Bruno vive em suas obras e na memória dos paquetaenses eternamente agradecidos, e, foi imortalizado pela Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá que o consagrou Patrono da Cadeira número 10.

Sem dúvida, a personalidade mais influente da história de Paquetá.

Obras de Pedro Bruno em Paquetá

  • Planejamento artístico e paisagístico do Cemitério de Paquetá, onde plantou uma série de espécimes de plantas nativas e esculpiu diversas esculturas;

  • Capela do Cemitério, onde deixou dois quadros: Jesus Cristo no Calvário e São Francisco de Assis falando aos Pássaros;

  • Cemitério dos Pássaros;

  • Projeto e execução do Parque dos Tamoios;

  • Antigo Bebedouro em pedra, na Praça Bom Jesus;

  • Escultura de um vaso marajoara no muro do Hotel Paquetá;

  • Caramanchão em frente a Praça Bom Jesus;

  • Decoração da Praça e da Capela de São Roque, tendo no fundo do Altar-Mór um quadro de sua autoria representando o Santo Milagroso;

  • Peixe de pedra em frente à Colônia os Pescadores;

  • Inscrições em pedras, com dizeres poéticos e chamadas de conscientização comunitária para a proteção ambiental;

  • Erma de Hermes Fontes, na Praia José Bonifácio esquina da Rua Manuel de Macedo;

  • A praça onde se localiza a Estação das Barcas;

  • Jardins da casa onde morava, na Rua Furquim Werneck;

  • Autor da nomenclatura de algumas ruas da Ilha de Paquetá, como Dr. Aristão, Praia Pintor Castagneto, Praia e Parque dos Tamoios;

  • Plantio de centenas de árvores, como os flamboyants vermelhos e as acácias rosas.

Fontes: Jacques Azicoff - Memória Histórica da Ilha de Paquetá, volume II - 1999

Marcelo Augusto Limoeiro Cardoso - Paquetá, História das Ruas, pg. 140

ÂNGELO DI FRANCO

Nasceu na Itália em 31 de agosto de 1896 e faleceu em 27 de fevereiro de 1988.

Chegou em Paquetá, em 1916, com 20 anos de idade. No caminho para a Ilha, ficou tão encantado que pareceu-lhe estar aportando no "Paraíso" e decidiu fixar residência definitiva.

Entusiasta das atividades relacionadas a esportes, lazer e cultura, passou a isto se dedicou quando chegou na Ilha.

Inaugurou em Paquetá a primeira loja de aluguel e consertos de bicicletas. Mas não se limitou a bicicletas comuns. Seu gênio criou as conhecidas bicicletas duplas, triplas, paralelas e de cadeirinha.

Na sua loja também podia-se alugar automóveis (naquela época eram permitidos em Paquetá, por doze mil réis) com ou sem motorista.

Inaugurou também o primeiro cinema da Ilha de Paquetá, o Cine-Thetro Sport, onde passava filmes de sucesso em equipamento Movietone, o mais moderno da época, e que logo se transformou num dos "points" da juventude nos anos 60.

No Cinema do Di Franco, como ficou conhecida popularmente sua casa de espetáculos, também se apresentavam artistas famosos (nos anos 20) em shows ao vivo de música e variedades. O próprio Di Franco apresentava seus shows de mágica, arte na qual era muito habilidoso.

Di Franco tinha um imenso espírito comunitário e era freqüente ser solicitado a ajudar eventos realizados na Ilha, e o fazia com gosto, franqueando as portas do Cine-Theatro e colaborando ativamente para abrilhantar a festa, sem nada cobrar, mas por amor a Paquetá.

Inaugurou também outros estabelecimentos em Paquetá, com o "rink" de patinação, que ficava na Praia José Bonifácio, na esquina da Rua Furquim Werneck, ao lado do cinema. Ali também funcionava um bar e restaurante (anos 30).

A Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá, imortalizou seu nome consagrando-o Patrono da Cadeira número 28.

Fonte: Jacques Azicoff - Projeto Pró Memória de Paquetá - Vultos Ilustres de Paquetá Boletim Informativo da Associação de Moradores de Paquetá - MORENA - número 8, página 8, Agosto de 1997.

ANDRÉ THEVET

Texto extraído do discurso proferido pelo Acadêmico Ney Dantas, no dia 31 de outubro de 2000, no Paquetá Iate Clube, por ocasião de sua posse na Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá, cadeira nº 1, Patrono André Thevet.

Foi Thevet, um religioso francês, nascido em 1516, em Angoulême, às margens do rio Charente, 440 quilômetros a sudoeste de Paris. Curioso, estudioso, viajante, aventureiro, Cavaleiro do Santo Sepulcro de Jerusalém, pesquisador, escritor, capelão, colecionador de coisas raras de todo o mundo e cosmógrafo, sua vida coincide com o exercício do poder da dinastia dos Valois-Angoulême que durante três quartos de século dominou a França. Quase que se superpõe com os grandes feitos de François I que, em 1516, uniu a monarquia francesa à Igreja e que submeteu o clero à autoridade real, até o assassinato de Henri III em 1º de outubro de 1589. E como ele próprio chamou a atenção "coincide com o nascimento e a afirmação da Reforma" na França.

Thevet nasceu quatorze meses antes de Martin Lutero iniciar sua oposição à Igreja e faleceu antes de ter presenciado o fim das Guerras de Religião.

Graças ao fato de ter percorrido o Oriente Médio, o norte da África, a Europa ocidental, de tudo observar e de tudo registrar, senão por escrito , pelo menos na memória que muito o trairia, Thevet escreveu obras, consideradas em sua época, como as primeiras crônicas de viagem , um novo estilo de literatura .

Depois, fazendo juz ao prestígio que já dispunha junto à Coroa, não lhe foi difícil embarcar na expedição do Almirante Nicolas Durand de Villegagnon que pretendeu estabelecer no Brasil uma colônia francesa.

Para nós, paquetaenses, aí reside talvez, o seu maior mérito. O local escolhido para o estabelecimento da França Antártica, este seria seu nome, fora a baía de Guanabara e sua sede, a ilha de Serigipe, como a chamavam os nativos , a ilha de Coligny como a batizou o Almirante que a ocupou , ou Villegagnon , como hoje a identificamos , ocupada pela Escola Naval .

Thevet permaneceu na Guanabara de 15 de novembro de 1555, a 31 de janeiro de 1556, curto período em que durante suas andanças descobriu a Ilha de Paquetá, mapeou-a e a registrou em Paris com seu nome indígena que conserva até hoje. E mais, teve tempo para alinhavar seu livro "As Singularidades da França Antártica" completado e editado depois de sua chegada à Paris , em 1557 , e que o consagrou como "o primeiro cronista da terra Carioca" . Ele pode ser considerado "o ponto de partida dos estudos brasilianistas" embora se reconheça que o Brasil, propriamente dito, ocupe a menor parte de suas narrativas.

Depois de ter conhecido e popularizado o "Quarto Mundo" com as obras que escreveu a seu respeito , Thevet foi nomeado Cosmógrafo do Rei, cargo que exerceu depois de abandonar a batina . Secularizado, serviu a quatro Reis da França: a Rainha Catherine de Médicis e aos Reis Henri II, Charles IX e Henri III, da Dinastia Valois-Angoulême, com quem conviveu da década de 1560 até o fim de sua vida.

Foi então que Thevet mais escreveu. Seu mais extenso trabalho "La Cosmographie Universelle" com mais textos sobre o Brasil foi editada em 1575. Legou-nos depois uma obra prima em seu gênero literário , o biográfico , "Les vrais pourtraits et vies des hommes illustres" , de 1584 , onde traça os perfis das vidas de 232 homens notáveis de seu tempo , dentre eles o nosso Cacique Cunhambebe .

Nos séculos XVII e XVIII, Thevet foi esquecido e muito pouco lembrado pelos historiadores .

Paul Gaffarel, Professor de Letras na Faculdade de Dijon , na França , iniciou sua reabilitação em 1878 ao prefaciar e comentar uma nova edição francesa de suas "Singularidades" e ao produzir um artigo biográfico dez anos depois .

A reabilitação de André Thevet teve continuidade com Estevão Pinto que, em 1943, publicou o artigo biográfico "O Franciscano André Thevet", o primeiro na língua portuguesa sobre o Frade, e que, no ano seguinte, traduziu as "Singularidades" para o vernáculo.

Três anos depois, o francês Jean Adhémar produziu a primeira biografia em longa metragem "Frère André Thevet, grand voyageur et cosmographe des rois de France au seizième siècle" que consta ter pecado na citação de suas fontes .

Em 1953, foi a vez da francesa Suzanne Lussagnet contribuir para a recuperação da memória de Capuchinho ao desencavar em museu de Paris, dois manuscritos inéditos de Thevet : "Histoire de deux voyage" e "Grand Insulaire" e o mérito de reuni-los com trechos da "Cosmographie Universelle" referentes ao Brasil em uma obra a que deu o nome de "Les Français en Amérique" .

Em 1978, foi a vez de outro brasileiro, Eugênio Amado, oferecer ao público pátrio outra tradução de "Les Sigularitez de la France Antarctique".

Por último, mais um francês, Frank Lestringant , seu melhor e mais recente biógrafo , teve sua obra "André Thevet , Cosmographe des derniers Valois" , publicada em Genebra em 1991 . Nela, o autor cita Thevet como tendo sido cosmógrafo de quatro reis da França . Em um trecho, ele diz: "Seu status de cosmógrafo do rei entra em decadência em 1589, por ocasião da morte do último Valois. E é então que o título se perpetua para se tornar no famoso epitáfio: outrora cosmógrafo de quatro Reis da França, como já o qualifica o testamento de 1º de novembro de 1589. Após essa data, e quando Paris está sem rei, Thevet modifica um título tornando obsoleto ou mesmo perigoso para aquele de "cosmógrafo e analista francês" que não parece haver correspondido a um cargo bem definido ."

Merece, também menção, o ilustre historiador e escritor paquetaense, o Doutor Marcelo Augusto Limoeiro Cardoso, que em 1994 brindou a comunidade literária desta Ilha com sua obra "Descobrimento de Paquetá" onde rememora trechos da vida de André Thevet.

Ao falecer em 23 de novembro de 1592, Thevet foi sepultado no coro, em frente à capela-mor, da Igreja dos Frades Franciscanos de Paris, como pedira em seu testamento.

Na Praça Pedro Bruno, o busto do pintor Paquetaense está voltado para uma placa de metal sobre pedra, um singelo e pouco notado monumento em homenagem ao Padre André Thevet que registrou o descobrimento da Ilha de Paquetá como tendo ocorrido no dia 18 de dezembro de 1555.

D. JOÃO VI

djoao.JPG (8089 bytes)

Palestra proferida na Plenária da Academia de Artes Ciências e Letras da Ilha de Paquetá, em 31 de março de 2000, no Auditório da XXI Região Administrativa, pelo Acadêmico José Lavrador Kevorkian. D. João VI – Patrono da Cadeira número 40 da Academia.

Nada melhor do que a descrição de Augusto Maurício em seu livro "Solar D’El Rey" para narrar a chegada acidental de D. João na Ilha de Paquetá ainda no mesmo ano da chegada da Família Real ao Brasil, 1808.

"Um dos seus maiores prazeres consistia em visitar amiúde os conventos e recolhimentos da cidade e das proximidades da Corte, angariando a simpatia dos religiosos, aos quais distribuía favores sem conta.

Foi por ocasião de empreender uma dessas visitas que D. João veio a conhecer Paquetá, embora esse fato se deva só ao acaso, e não à própria vontade do príncipe.

Num dia que não foi fixado, mas que há certeza de ter sido em fins do ano de 1808, partiu D. João da Ilha do Governador, onde estivera em rápida palestra com os padres Beneditinos, com destino a Santa Ana de Macacu, na Província do Rio de Janeiro. Pretendia entregar-se no convento Franciscano da localidade, a mais um retiro espiritual tão de seu agrado.

Ainda na ilha do Governador o príncipe fora advertido da temeridade da viagem naquele dia, pois o tempo apresentava-se ameaçador, e não tardaria a desabar tremenda tempestade. D. João, porém, não se intimidou; confiava nos braços herculeos dos seus 23 remadores algarvios que trouxera de Portugal, e na capacidade de resistência do galeão real para enfrentar a bravesa do mar. Ademais não era muito largo o percurso.

De fato, a embarcação era novíssima, fora construída com todos os requisitos de segurança naquele mesmo ano de 1808, no porto de Salvador, por ordem de D. João de Saldanha da Gama de Meio e Torre, 6o Conde da Ponte, especialmente para o serviço do Príncipe-Regente. Nada havia, pois, que temer.

Pouco depois de ter zarpado da ilha do Governador o galeão conduzindo Sua Alteza, começou a chover copiosamente, a soprar vento sudoeste forte, o mar a encapelar-se, fazendo com que o leme manobrado pelo patrão-mor Francisco Laranja, não mais obedecesse com a docilidade costumeira aos esforços do profissional.

Enormes vagalhões iam e voltavam batendo impetuosamente no casco do galeão real. O pequeno barco oscilava e parecia prestes a ser tragado. A bordo, no pequeno camarim adornado de dourados e veludos, situado à pôpa, o gordo Bragança preso de grande terror, rezava e invocava a proteção de todos os santos cujos nomes sua memória guardava...

Ali estava o futuro Rei do Brasil, tendo a vida a pender por um fio, entregue nas mãos de Deus, à fortuna do mar e a resistência física dos remadores lusitanos... Sem dúvida as rezas foram ouvidas. Pouco a pouco a tempestade foi amainando, e o barco, no vai-vem do mar, se foi arrastando, desgovernado, para a praia próxima. Os remadores estavam exaustos; a luta fora superior às suas forças. Essa praia branca,emoldurada por gigantescas e verdejantes árvores, esse penhasco abrupto emergindo do seio das águas sobre as quais se debatera heroicamente o barco, dera ao príncipe estranha sensação de segurança. Através das copas das árvores viam-se os telhados avermelhados dos casarões. As habitações menores ficavam ocultas como que procurando fazer surpresa a quem penetrasse nas ruas estreitas da pitoresca Ilha.

Estava D. João em Paquetá.

Ao pisar terra firme, respirou...

Quando o povo de Paquetá viu dar à praia a embarcação do Príncipe-Regente, e soube que o Sereníssimo Senhor D. João vinha a bordo, correu pressuroso a recebê-lo, a oferecer-lhe os seus préstimos, a proporcionar-lhe hospitalidade de acordo com sua elevada estirpe e com as possibilidades de conforto de que dispunha a ilha.

Entre as mais destacadas figuras do lugar estava o negociante português Francisco Gonçalves da Fonseca, oficial de milícias, senhor de largos haveres, que logo pôs à disposição do príncipe a sua casa sita à Rua dos Muros, o que era, talvez, a que melhores condições de comodidade oferecia para hospedar o mais elevado vulto do Brasil naquele longínquo tempo."

A acolhida a D. João pela comunidade foi simples, mas repleta de sinceridade e isso certamente cativou o soberano que passa a incluir Paquetá como um dos seus lugares preferidos para passear, sempre hospedando-se com Francisco Gonçalves da Fonseca, mercador de escravos, naquele que é hoje popularmente conhecido como Solar D’El Rei na Rua Príncipe Regente.

A relação de amor de D. João por Paquetá ainda viria a ser consolidada por um fato curioso: Numa de suas visitas a Fazenda Santa Cruz, D. João contraíra uma úlcera na perna causada por um desavisado carrapato. Recorrendo então as milagrosas águas do Poço de São Roque, D. João teria finalmente se livrado da úlcera que tanto o atormentava.

D. João agora não só é admirador da Ilha que ele batiza de Ilha dos Amores como se torna devoto de seu padroeiro São Roque.

Por promessa ou não D. João passa a freqüentar a tradicional Festa de São Roque no mês de agosto onde se mistura ao povo sem qualquer cerimonial.

Cada vinda de D. João até a Ilha é saudada pela comunidade com salvas de canhão e rituais de beija-mão. Os despachos passaram a ser feitos da Ilha que de certa forma se transforma em Capital do Reino.

Ainda de Paquetá D. João recebe um requintado conjunto de porcelanas confeccionadas a partir do caolim extraído do Morro da Cruz, situado naquele que é hoje o Parque Darke de Mattos. Daí se explica os inúmeros túneis cavados em diversos pontos do morro.

O Solar D’El Rei nunca foi residência ou Palácio Real propriamente dito, mas sim uma ampla e elegante residência particular que hospedava o soberano.

Em 1946 após ser comprado pelo Sr. Edmundo Barreto Pinto e sofrer algumas reformas para simular um Palacete Real é que o prédio veio a ser batizado como Solar D’El Rei.

Seu valor histórico e cultural foi finalmente reconhecido oficialmente e hoje o imóvel é tombado pelo Patrimônio Histórico da União.

LIA MITTARAKIS

Palestra proferida  na Plenária da Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá, em 10 de julho de 1988, no auditório da XXI Região Administrativa, pela Acadêmica Denise Viola.

LIA MITTARAKIS - 1934-1998

Lia Mittarakis nasceu a 28 de julho de 1934, no bairro da Lapa, no Rio de Janeiro. Filha de pai grego e mãe descendente de gregos, Lia morou desde cedo em Paquetá. Perdeu a mãe aos 2 anos e o pai aos 10. Foi criada pelos avós maternos e educada num colégio de freiras espanholas, em regime de internato: "Educandário Gonçalves de Araújo", da Irmandade da Candelária, no Rio de Janeiro.

Autodidata, Lia pintava desde os 11 anos de idade, no colégio interno. Pintava quadros que nem assinava, cortinas de sacrário, painéis para fazer fundo do altar, santinhos de pergaminho, anjinhos... "Nas aulas de desenho eu ia logo para as tintas" contava Lia. Seu primeiro quadro já retratava Paquetá - referência constante em sua obra.

A vida em Paquetá e o convívio com a natureza, os animais, foram fatores que contribuíram para a obra de Lia Mittarakis, que, apesar de órfã, nunca perdeu a alegria de viver.

Lia trabalhou como secretária, caixa, contadora e depois como professora primária.

Casou-se com um jornalista, com quem teve duas filhas - Magda e Mariângela - hoje também artistas plásticas, pintoras como a mãe.

Quando estava com 29 anos, seu marido contraiu tuberculose e passou longos meses em tratamento. Nesta época, 1964, Lia fazia bonecas e bordados para vender.

Com a morte do marido, neste mesmo ano, Lia deu impulso à vocação que se manifestara na infância. A necessidade financeira foi o "empurrão" que faltava para o "renascimento da pintora naïf Lia Mittarakis".

Foi vendendo seus quadros nas ruas e depois no pequeno atelier, no terreno anexo à Igreja Matriz Bom Jesus do Monte, que criou e educou suas filhas Magda e Mariangela.

Já dizia o escritor francês André Gide "Um quadro é uma superfície destinada a emocionar". E foi o que Lia sempre conseguiu.

Nos idos dos anos 60/70, a embarcação Bateau Mouche trazia turistas de todas as partes do mundo. Lia foi então descoberta por um marchand inglês que lhe propôs um contrato: Lia receberia mensalmente e lhe entregaria sua produção artística.

E assim ganhou o mundo... Começou logo expondo em nível internacional. Foi convidada para a mostra "Artistas Primitivos", em Bratislava, em 1969.

A partir de então a careira de Lia Mittarakis como pintora naïf não conheceu mais limites. Essa carioca, moradora da Praia da Imbuca, espalhou pelo mundo paisagens alegres do nosso Rio e da nossa Ilha de Paquetá. Entretanto, não podemos deixar de registrar que a sua primeira exposição foi no salão do Paquetá Iate Clube, em 1964.

O crítico de arte Flávio de Aquino disse a seu respeito: "Para Lia Mittarakis, a vida é uma festa cujo cenário é formado pelas praças de Paquetá, as águas cheias de embarcações embandeiradas, com o Pão de Açúcar e um Rio de Janeiro ao fundo - um conjunto paradisíaco."

Ainda sobre Lia Mittarakis, Vera Pacheco Jordão escreveu em 1968 : "A pintura de Lia Mittarakis reflete a alegria de uma alma capaz de apreender o milagre sob as aparências do quotidiano. O vendedor de peixe, o verdureiro, os meninos de bicicleta, as meninas brincando de roda, os barcos a vela ou a remo, tudo aquilo que faz a humilde vida de cada dia, é transfigurado pela pintora de Paquetá, munida do pincel que solta côres mágicas onde banha êsse mundo de sonho."

A Arte Naïf é isso: cores, sonhos, pureza... Segundo Thomas Mann, "A ingenuidade é a base do ser, de todo ser, até mesmo do mais consciente e mais complexo."

Ainda descrevendo a Arte Naïf, o grande pintor francês Matisse afirmou: "É preciso olhar a vida com todos os olhos de criança. Importa ainda conservar este frescor da infância no contato com os objetos, preservar esta ingenuidade."

O adjetivo naïf é o mais empregado para o gênero de pintura adotado por Lia Mittarakis, chamado também de ingênua e às vezes primitiva. Na ocasião em que foi lançado, naïf era apenas um apelido, como em outras épocas, os pintores foram chamados de impressionistas, cubistas, futuristas, etc ...

Os naïfs em geral são autodidatas e sua pintura não é ligada a nenhuma escola ou tendência. Essa é a força desses artistas que podem pintar sem regras nem constrangimentos. Podem ousar tudo. São os "poetas anarquistas do pincel".

Ser naïf é um estado de espírito que leva a uma maneira toda pessoal de pintar. Podemos encontrar pintores ingênuos entre sapateiros, carteiros, donas-de-casa, jornalistas, médicos, diplomatas...

A Arte Naïf transcende o que se convencionou chamar de popular porque seus artistas são os próprios criadores de suas obras, que são únicas; ao contrário do artista popular que segue uma tradição já existente, repetindo suas obras em série.

O Brasil, talvez pela alegria de seu povo, é considerado em nível internacional como um dos maiores centros naïfs do mundo. Junto com a França, a Iugoslávia, o Haiti e a Itália, é um dos "cinco grandes" da Arte Naïf. Um grande número de obras de pintores naïfs brasileiros faz parte do acervo dos principais museus de Arte Naïf existentes no mundo.

Apesar do sucesso que esse gênero de pintura faz "lá fora", ainda não é muito valorizado aqui. Basta lembrar que muitos pintores naïfs de renome foram descobertos por estrangeiros que aqui viviam ou que por aqui passaram. Não foi diferente com Lia...

Seus quadros fazem parte de coleções do Museu do Vaticano, Museu de L'Ile de France, Museu de Milão-Itália, Museu de Belas Artes-Rio, Palácio de Monaco, Instituto Brasileiro do Café-Nova Iorque, Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil, Organização das Nações Unidas - ONU e coleções particulares na Suíça, Inglaterra, Estados Unidos, Portugal, Itália, Alemanha, Argentina e tantos outros países que nem sabemos. O Papa João Paulo II tem um quadro dela.

Apenas algumas das exposições que Lia Mittarakis participou:

1964 - Salão do Paquetá Iate Clube, Ilha de Paquetá Galeria Barcinsky, Rio de Janeiro Galeria Vernon, Rio de Janeiro

1970 - Exposição "Naïfs del Brasil, Naïfs di Haiti, Espoleto, Itália

1973 - Musée D'Art Naïf de L'I le de France

1975 - Exposição em Homenagem ao Ano Internacional da Mulher, Hotel Intercontinental, Rio de Janeiro Exposição em Homenagem ao Ano Internacional da Mulher no IBAM, Botafogo, Rio de Janeiro I Salão Instinto e Criatividade Popular no Museu de Belas Artes, Rio de Janeiro

1978 - I Salão Carioca de Pintura Ingênua - Prêmio de Aquisição - Prefeitura do Rio de Janeiro

1979 - II Salão Carioca de Pintura Ingênua - Hors Concours

1980 - Exposição na Cidade de São Francisco, Califórnia, Estados Unidos (patrocinada pela FUNARTE/Itamarati)

A pintura de Lia Mitarakkis se transformou em cartão de Natal do UNICEF, em 1994 ("Os amo, amo este povo feliz").

Lia é autora do maior quadro de arte naïf do mundo, exposto atualmente no Museu Internacional de Arte Naïf do Brasil, no Cosme Velho, ao lado da estação do bondinho que leva ao Corcovado. A tela tem 4 por 7 metros e representa toda a cidade do Rio de Janeiro. O quadro se chama "Rio de Janeiro - gosto de você, gosto dessa gente feliz". A obra foi exposta pela primeira vez no Paço Imperial, na exposição "o Mundo Fascinante dos Pintores Naïfs", em 1988. Lia levou 5 anos para concluir o quadro em acrílico sobre tela.

Nessa panorâmica do Rio, pode-se observar Paquetá ao fundo. A desproporção é uma característica desse estilo, onde se sobressaem as coisas mais marcantes para o artista.

Nessa pintura, o que podemos observar com maior destaque em Paquetá são os matacões, o Relógio da Mesbla, a Igreja de São Roque, o Mirante do Parque Darke de Mattos e a casa dela, na Imbuca.

Lia sofreu um deslocamento de retina que lhe tirou 60% da visão do olho esquerdo, o que a levou a passar a pintar grandes painéis. Mas nem isso lhe serviu como empecilho.

Esta carioca, paquetaense de coração, chegou à capa da Revista Time International, feito conquistado apenas por 5 artistas plásticos do mundo: Pablo Picasso, Salvador Dali, Rauschembreg e o mexicano Diego Rivera - a quinta foi Lia, com "Maravilhoso Rio".

O empenho do colecionador americano Maurice Skinazi, admirador da obra de Lia, foi decisivo. Ele telefonou para os editores da revista sugerindo o trabalho de um pintora brasileira para ilustrar o número que falasse da Eco-92, a Conferência das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Sua obra não só foi obra da capa, como teve um trabalho seu escolhido para ilustrar o convite oficial da Conferência.

Lia Mittarakis fez ainda ilustrações para revistas da Rio Gráfica Editora e para livros de arte. Entre eles, podemos citar "Les Proverbes Vus par les Peintres Naïfs", de Anatole Jacovsky, especialista em pintura naïf em Paris.

Anatole escreveu sobre ela: "Presentemente ela canta ainda melhor do que antes. No instante que passa, e nomeia as coisas por seu verdadeiro nome, dela, o sol é verdadeiramente sol, a água não pode ser mais azul, e as flores não podem ser mais belas em nenhum lugar, avivadas pela magnificância da luz tropical."

Lia por Lia:

"Pinto com amor, (quasi como quem reza) com honestidade e sinceridade. Desde garota com as freirinhas do colégio interno(crianças órfãs). Pintava telas que nem assinava, cortinas de sacrário, e painéis (para o mês de Nossa Senhora, fazer fundo do altar) com anjinhos de cabelos cacheados como as amiguinhas do educandário. Pinto quasi que todos os dias.

Acho lindo viver e poder sentir o valor de cada coisa que me rodeia, um sorriso, um gesto de amizade...Adoro plantas e bichos. De crianças também. Temos em casa dez cachorros e sete gatos, quasi todos pegos na rua com fome.

Deus me deu a graça de viver num paraíso que é a Ilha de Paquetá(sou de origem grega) no meio de muita vegetação, numa mini-floresta, ouvindo o alegre canto dos pássaros livres(e há os que querem prendê-los!!) Tenho horror de pássaros em cativeiro (como gente na prisão). Fico muito triste quando os vejo engaiolados... O espaço é tão livre para voar! E viva a liberdade!!

Adoro a natureza. Todos os dias me presenteio com o direito de dar uma volta pelo quintal e ver(os bichinhos das plantas, borboletas, gafanhotos, formigas, todos com direito à vida) as flores que abriram, os galhos que brotaram, as folhinhas novas... e falo para elas que são tão lindas...! Que eu as amo e que agradeço tamanha beleza.

Também tive uma vida e muita dureza. Fiquei viúva cedo com duas crianças para criar (viúva de jornalista). Foi um luta ferrenha, mas sobrevivi. O tempo passou e hoje elas são pintoras como eu. Mariangela e Magda Mittarakis.

Agora, acho difícil o artista verdadeiro sobreviver (principalmente o jovem) no Brasil, num mundo tão indisciplinado como o de hoje, no meio de tanta correria, de tanta procura, os valores são esquecidos !

Ultimamente tenho pintado a temática da Ilha de Paquetá e o Rio feérico, como diz o crítico Flávio de Aquino."

Vítima de diabetes, já quase sem visão, Lia pintou ainda o último quadro, que já não tinha mais a precisão de detalhes, mas retratou com amor a Festa de São Roque (coleção particular).

Ela que expôs em homenagem ao ano internacional da mulher, 1975, veio a falecer no mês da mulher, março de 1998.

O pensador da Revolução Francesa, Diderot, escreveu no século XVIII, mas poderia ter sido para Lia: "Nem tudo que é verdadeiro é naïf, mas tudo que é naïf é verdadeiro, de uma ingenuidade pungente, original e rara."

E Lia, sem ter como discordar, responderia com seu sorriso largo, pleno, de quem sorveu as delícias da vida paquetaense...

ENTIDADES CULTURAIS
Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá

Presidente: : Vânia Barbosa Vice Presidente: Kátia Pino

Endereço: Praia José Bonifácio, 127 - CEP: 20396-140
Sede provisória da XXI Região Administrativa Telefone:
3397-2587  E-mail: aaclip@ig.com.br Site: www.academialetraspaqueta.org



Idealizada por Dr. Pedro d'Alcantara Freire Netto, a Academia foi fundada em 12 de dezembro de 1997, com sede provisória na XXI Região Administrativa, conforme Ata lavrada no livro próprio e os seus Estatutos aprovados em reunião do dia 23 de janeiro de 1998. São 40 cadeiras que têm como patronos personalidades que, de maneira diversas, influíram e foram importantes na história da Ilha de Paquetá e na vida de sua comunidade. Apresentamos, a seguir, a relação dos patronos e dos ocupantes destas 40 cadeiras.

Quadro de Acadêmicos

CADEIRA

NOME DO PATRONO

ACADÊMICO

1

André Thevet

Ney Dantas

2

Maestro Anacleto

Luiz Alberto da Costa Fernandes

3

Vivaldo Coaracy

Katia Machado Pino

4

Mestre Altinho

Marcos Sebastião Gitsin

5

Augusto Silva

Ricardo Pereira Linhares

6

Lamartine Babo

Vania Barboza da Silva

7

Hermes Fontes

Marcilio Torres Freire de Oliveira

8

Lívio Porto

Vinícius Branco Freire Silva

9

Cacique Tamoio Guaixará

Raymundo Fernando Sampaio Rebello

10

Pedro Bruno

Naise Guimarães Guedes

11

Pintor Castagnetto

Élida Maria Almendros

12

Augusto Maurício

Jorge Augusto da Costa Gomes

13

Carlos Lacerda

Geraldo Russomano Malias

14

Ataulpho de Paiva

Ariane Freire

15

Orestes Barbosa

Roberto Carvalho Barbosa

16

João de Camargo

Áurea Proença

17

Joaquim Nabuco

Paulo Fernandes Dias

18

Eithel Zulchner de Andrade

José Cardoso de Andrade

19

Ormy Toledo

Janete Assá Gallego Soares

20

Gonçalves Junior

Maria das Graças Muniz

21

Joaquim Manoel de Macedo

Leonardo Iorio Ribeiro

22

João da Silva Pinheiro Freire

Jacques Azicoff

23

Olumpio Gallego Soares

José Borges Gallego Soares

24

Aristão Gonçalves Neves

Marlene da Conceição Manes

25

Gilka Machado

Elza Cansanção Medeiros

26

Bernardino Dias da Silva

Ivone de Jesus Soares Gordalina

27

Ivan Mundim

Jane Fereira da Silva Mundim

28

Ângelo Di Franco

Léa Di Franco Zucca

29

Norberto Augusto Praça

Hilda Gonzalez Praça

30

Domício Proença

Domício Poença Filho

31

Marcos Tamoio

Wilson Alves

32

Ovídio Chaves

Célia de Oliveira Soares

33

João Batista de Lacerda

Carlos Frederico Bernardo Loureiro

34

Walter Müller dos Reis

Cyro Ferreira Felizola Zucarino

35

Lia Mittarakis

Denise de Oliveira Viola

36

José Thedim Barreto

Cinira de Souza Faria

37

Benjamim Costallat

Cléo de Oliveira Passos

38

F. J. Freire Junior

Francisco Salvador Veríssimo

39

José Bonifácio

Doris Del Carmen H. Thedim

40

D. João VI

José Lavrador Kevorkian

 

Casa de Artes Paquetá
Diretor Presidente: José Lavrador Kevorkian
Endereço: Praça de São Roque, 31 - CEP: 20396-040
Telefone: 3397 0517, 3397 2124

E-mail: casartes@ilhadepaqueta.com.br
Site: www.casadeartes.org
Centro Cultural com exposições temáticas regulares e acervo próprio permanente. Centro de Memória da Ilha com documentos, livros e literatura diversa sobre Paquetá. Loja de artesanato e Café nos jardins - Arte & Gula Café. Programação regular de música, cinema e eventos diversos. Projetos sociais e culturais com crianças da comunidade. A propriedade é de raro valor arquitetônico valendo a visitação.

Biblioteca Escolar Municipal de Paquetá Joaquim Manoel de Macedo
Bibliotecária responsável: Rosângela de Almeida Fernandes
Endereço: Rua Adelaide Alambari, 41
CEP: 20.397-180
Telefone: 3397-0388
Horário: Segunda á sexta de 08H30 ás 16H30.
Vinculada á Secretaria Municipal de Educação
 

União dos Artistas Plásticos e Artesãos da Ilha de Paquetá  UAAP
Presidente: Élida Almendros
Endereço: Caixa Postal 054010 - CEP: 20392-970
Telefax: 3397 0851
E-mail: uaapaqueta@yahoo.com.br Site: www.uaapaqueta.hpg.com.br
Associação que congrega artistas e artesãos da Ilha em eventos e mostras. Pintura, literatura, artesanato e fotografia. Edita mensalmente o Boletim da UAAP, com artigos diversos referentes ao universo cultural da Ilha.

Grupo de Teatro Solar D’El Rey

Image2.jpg (53812 bytes)

Fundador: Ivan Bispo (fundado em: 09/08/96)

Direção: O grupo

Endereço: Sede provisória da XXI Região Administrativa

Praia José Bonifácio, 127 - CEP: 20396-140.

Telefones: 3397-1410 Aline ou 3397-1547 Bruno

E-mail: gteatrosolardelrey@bol.com.br

Integrantes (Nomes artísticos)

Aline Cabral, Bruno Leal, Fábio Pessoa, Fred Mascarenhas, Gabriela Pinhel, Sandra da Silva, Raphael Arlyn, Regis Menezes, Victor Rodriguez.

Trabalhos do Grupo

Liberdade, Libertação, Liberdade / Sou Jovem sim e daí? / Os Palhaços a comédia da vida / O Navio Fantasma / Fotos da Juventude / Tributo a Orestes Barbosa / Luz / Vida / Made in Brazil / A Praça é Limpeza / Entre outros

48º Grupo de Escoteiros São Roque de Paquetá

Diretora Técnica: Marlene Manes

Endereço: XXI Região administrativa
Praia José Bonifácio, 127 - CEP: 20396-140
Domingos: 8:00 às 12:00h
Idade:
10 a 15 anos Conselho Escoteiro
16 a 18 anos Senior e Guia
Informações: 3397 0848 com Miracyr Moreira.

Movimento de Cidadania pelas Águas da Ilha de Paquetá – Centro de Referência- Coordenadora: Ariane Freire

Endereço: Praia dos Tamoios, 705

Telefone: 3397 0899

Image3.jpg (11975 bytes)

Grupo de Ação, Recuperação e Orientação para Paquetá e Adjacências - GAROPA

Presidente: Vinicius Magno

Endereço: Rua Comendador Lage, 93 - CEP: 20396-000

Telefone: 3397 0786

Site: www.garopapqt.hpg.com.br

E-mail: garopapqt@ig.com.br

O GAROPA - Grupo de Ação, Recuperação e Orientação para Paquetá e Adjacências - é registrada legalmente como associação civil sem fins lucrativos. Uma entidade que se inclui no chamado terceiro setor (ONG’s).

Embora lembre o nome de um peixe, e esteja comprometida com Educação e Meio Ambiente, seu campo de atuação é muito mais amplo. Tem, por exemplo, funcionando desde dezembro de 1999, o Projeto "Escota Comunitária de Esportes de Praia da Ilha de Paquetá", localizada na Praia da Moreninha, onde se desenvolve, diariamente, lições de futebol e vôlei de praia para um público composto por aproximadamente 150 (cento e cinqüenta) alunos, entre crianças e adolescentes, meninas e meninos.

O GAROPA é composto por moradores nascidos e crescidos em Paquetá, alguns dos quais com envolvimento comunitário intenso.

Acreditando na construção de parcerias para o sucesso de iniciativas comunitárias, nos orgulhamos do bom relacionamento com entidades representativas da Ilha de Paquetá, tais como: XXI Administração Regional, MORENA (Associação de Moradores), SAIPA (Sociedade Assistêncial da Ilha de Paquetá), ASCOPA (Associação Comercial de Paquetá), Casa de Artes Paquetá e Academia de Letras, Ciências e Artes da Ilha de Paquetá.

Projeto Criança Criando & Oficina Espaço Arte

Coordenadora: Élida Almendros

Endereço: Rua Comandante Guedes de Carvalho, 49 - casa 3

Telefone: 3397 0851

Projeto Educação e Saúde Comunitária

Coordenadora: Kátia Machado Pino

Endereço: Rua Comendador Lage, 99 # 201

Telefone: 3397 0854

Seresteiros de Paquetá

Coordenadora: Hilda Marques

Endereço: Rua Feliciana Borges 43 # 201

Telefone: 3397 0983

Grupo de Rock Escravos do Porão

Contatos: Vinícius -Telefone: 3397 0914

Coelho - Telefone: 3397 0509

Os Escravos do Porão, banda com pouco mais de um ano, são: Vinícius (baixo, guitarra, teclado e vocais), Coelho (guitarra, violão, baixo, teclado e vocais) e Bobô (bateria, percussão e vocais). Já fizeram parte ainda, John (vocais), que está voltando, Chayene (guitarra), Gilberto, Mamaco e Betão (vocais).

A banda tem esse nome porque seus ensaios acontecem no porão da Biblioteca de Paquetá, no Solar DEL Rey, onde ficavam os escravos na época em que D. João VI freqüentava a Ilha.

A primeira apresentação ocorreu no Municipal futebol Clube, em janeiro de 2001 e desde então os Escravos já tocaram no calçadão da praia da Moreninha, no Paquetá Iate Clube, em festas particulares, além da tradicional Festa de São Roque e no evento Paixão de ler, no própria Biblioteca, quando comemoraram um ano. No São Roque aconteceu da banda tocar no mesmo dia e quase na mesma hora do inesquecível show de Jimmy Hendrix em Woodstock, 32 anos depois.

No repertório da banda, entre outras, pode-se ouvir músicas de bandas nacionais, como Raimundos, Legião Urbana, Titãs e Ultraje a Rigor, e internacionais, como Iron Maiden, Nirvana, U2 e Black Sabbath. Brevemente, os Escravos estarão lançando algumas composições próprias.

Flautistas de Paquetá

Regente: Tina Pereira

Telefone: 2543 2579 – 9364 2102

IMPRENSA

Jornal A Ilha


Mentor e Fundador: Sylvio de Oliveira (1956-2014)
 

Equipe: Ana Pinta, Claudio Marcelo Bo, Cristina Buarque, Flávio Aniceto, Ialê Falleiros, Ize Sanz, Jorge Roberto Martins, Julio Marques, Marcelo Ficher, Mary Pinto, Ricardo Cintra e Ricky Goodwin, Taís Mendes, Xabier Monreal.
 

Programação Visual: Xabier Monreal
 

Jornalista responsável: Jorge Roberto Martins- Reg. Prof. 12.465
E-mail: cartasjornalailha@gmail.com / comercialjornalailha@gmail.com
A Ilha é um jornal comunitário mensal organizado, elaborado e mantido pelos moradores da Ilha de Paquetá.
 

TEMPLOS RELIGIOSOS

Paróquia do Senhor Bom Jesus do Monte – Católica
Pároco: Padre Nixon Bezerra
Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus do Monte
Endereço: Praia dos Tamoios, 45 - CEP: 20397-030
Aberta para visitação diariamente das 8:00h ás 17:00h
Missas
Domingos às 07:30h, 11:15 e 18:00h
Segundas-Feiras às 18:00 Missa pelas Almas.
Quartas- Feiras ás 18:00h Missa e Ofício de Nossa Senhora
Quintas- Feiras às 18:00h Missa e Adoração ao Santíssimo Sacramento
Sexta-Feiras às 7:30h Missa em honra ao Sagrado Coração de Jesus
Sábados às 18:00 Missa pelas famílias
Informações: 3397 0270
Secretaria da Paróquia : Segunda à sexta: 8:00h ás 17:00h

Capela São Roque
Praça de São Roque s/ nº - CEP: 20397-030
Missas
Domingos às 9:00h
Todo dia 16 é celebrada a Missa em homenagem a São Roque às 18:00h.
Informações: 3397 0019 Com Irmã Antônia
 

Igreja Batista de Paquetá

Pastor Ronaldo Lemos

Endereço: Rua Comte. Guedes de Carvalho, 212

CEP: 20396-110

Telefone: 9191 3173 / 9328 8754

Igreja do Testemunho de Jeová

Endereço: Rua Dois Irmãos, 110 - CEP: 20397-230

Igreja Universal do Reino de Deus

Endereço: Rua Dr. Aristão, 178 - CEP: 20397-130

Igreja Messiânica Mundial do Brasil

Endereço: Rua Príncipe Regente, 3 - Tel 3397-0226

CEP: 20397-010

Igreja da Assembléia de Deus

Pastor Luis

Endereço: Praia Manoel Luiz, 79 - CEP: 20396-130

Telefone: 3397 0707

0069.jpg (18130 bytes)

FEIRAS E EXPOSIÇÕES

0036.jpg (17474 bytes)

Casa de Artes Paquetá

Endereço: Praça de São Roque, 31 - CEP: 20396-040

Telefone: 3397 0517, 3397 2124

E-mail: casartes@ilhadepaqueta.com.br

Funcionamento: sextas, sábados, domingos e feriados

Mantém acervo de arte e artesanato permanentemente exposto, valorizando artistas da Ilha de Paquetá e artistas que retratam a Ilha e sua identidade cultural.

Este Centro Cultural promove também diversas exposições específicas e temáticas ao longo do ano, que serão divulgadas neste site, de acordo com a programação.

Feira de Artesanato da Praça Bom Jesus

Endereço: Praça Bom Jesus, próxima à estação do aerobarco

Funcionamento: Sábados

Diversas barraquinhas que vendem artesanato, de uma maneira geral e funcionam também como ponto de encontro de confraternização das senhoras que organizam.

Feirinha Ecológica
Endereço: Praça Bom Jesus do Monte, podendo variar.
Funcionamento: Segundo sábado do mês.
Produtos naturais, orgânicos e integrais. Produtos sem lactose. Comidas artesanais.
E-mail: ialefalleiros@gmail.com
 

FESTAS E MANIFESTAÇÕES POPULARES

Reveillon

Sempre é uma festa tradicional na ilha, pois os veranistas geralmente participam, sendo a data uma espécie de abertura do verão, quando os moradores, veranistas e visitantes se confraternizam na Ilha.

A partir do reveillon 2001/2002 a Ilha de Paquetá passa a fazer parte do roteiro oficial da Prefeitura/Riotur para celebração oficial do Ano Novo.

O ponto principal de confraternização ocorre na Praia da Moreninha.

Carnaval

Durante décadas o carnaval da Ilha se polarizava entre os seus principais blocos: Unidos de São Roque (o Bloco do Campo) e o Silêncio do Amor (o Bloco da Ponte).

Apesar de não terem desfilado nos carnavais recentes, essas duas principais agremiações ainda são culturalmente muito fortes e vivem na imaginação da comunidade. Ou você é Unido de São Roque ou você é Silêncio do Amor. Ou você é Campo ou você é Ponte.

O carnaval da Ilha se diversificou e hoje são dezenas de pequenos blocos que saem às ruas transformando o carnaval de Paquetá num dos mais tradicionais, espontâneos e informais da Cidade.

Os principais blocos que alegram as ruas hoje em dia são:

  • Bloco do Saca Rolha
  • Bloco da Tartaruga
  • Bloco dos Coqueiros
  • Bloco do Camelo
  • Bloco do Goró
  • Bloco do Carro Bomba
  • Bloco da Tamarineira
  • Bloco das Piranhas (do PIC)
  • Bloco da Magdala
  • Bloco do Garopa
  • Bloco do Copo
  • Bloco da Poába
  • Bloco Só Cana

Páscoa

Celebrada tradicionalmente pela comunidade, incluindo procissão e malhação de Judas.

Festa de São João

Acontece anualmente na Praça de São Roque na data comemorativa do Santo. A festa é tradicionalmente com caráter junino, com fogueiras, barraquinhas e danças típicas.

Festa de São Pedro

Festa organizada pela comunidade dos pescadores, com barraquinhas e danças típicas e a tradicional Procissão Marítima, uma das únicas ainda existentes na Baía da Guanabara. Nesta procissão se integram pescadores de outras comunidades das margens da Baía da Guanabara.

A festa acontece na Praça Augusto Silva, no final da Praia José Bonifácio.

Festas Juninas

São várias festas informais que acontecem em várias ruas da ilha, variando de ano para ano e mantendo a espontaneidade típica desta cultura. As ruas seguras e sem carros da Ilha estimulam e convidam para este tipo de mobilização comunitária.

Festa de São Roque

É a festa mais tradicional da comunidade. A festa que celebra o padroeiro. Uma das mais antigas do Rio de Janeiro, com mais de 300 anos. Celebrada na Praça de São Roque, em torno do dia do santo, 16 de agosto.

Nesta época ocorre a maior confraternização da ilha com moradores, veranistas e familiares, ex-moradores, etc. Todos os que já tiveram algum vínculo com Paquetá celebram São Roque.

Barracas, shows musicais, competições esportivas, gincanas, parquinhos infantis, e recentemente com o apoio institucional da Prefeitura. A festa é, sem dúvida, uma das mais importantes celebrações de rua da Cidade.

Dia de Cosme e Damião

O dia 27 de setembro é comemorado com a tradicional distribuição de doces para a criançada. É também uma festa aos olhos, ver a multidão de crianças que circulam nas ruas (sem carros) de Paquetá. Aos moradores de Paquetá sempre se agregam crianças de outras comunidades, como Itaoca, em São Gonçalo para um dia especial. Uma farra.

Lúdica Infantil

As ruas de saibro e seus carros e as areias da praia formam as facilidades ideais para as tradições de jogos infantis.

Em Paquetá a garotada ainda solta pipa, brinca de pique cola, pique tá, pique esconde, etc., queimado, carniça, bola de gude, búlica, mata-mata, triângulo, brincadeiras de roda, taco, mamãe posso ir, pêra, uva, maçã, salada mista, mandrake, pião, etc.

Os ciclos das brincadeiras ao longo do ano também mantido: tempo de pipa, tempo de pião, tempo de bola de gude.

BIBLIOGRAFIA BÁSICA DE PAQUETÁ

0037.jpg (17311 bytes)

Cardoso, Marcelo Augusto Limoeiro – Lendas de Paquetá – Coleção Paquetaense Vol. 1 – Gráfica Brasileira – Rio de Janeiro – 1975.

Cardoso, Marcelo Augusto Limoeiro – Paquetá História das Ruas – Coleção Paquetaense Vol. 3 - Segrafa – Rio de Janeiro, 1992.

Cardoso, Marcelo Augusto Limoeiro – GUIA TURÍSTICO E HISTÓRICO DE PAQUETÁ – Coleção Paquetaense Vol. 6 – Papel Virtual – Rio de Janeiro, 1999.

Cardoso, Marcelo Augusto Limoeiro – Paquetá, estóriaS DA ILHA – Coleção Paquetaense Vol. 5 – Papel Virtual – Rio de Janeiro, 1997.

Coaracy, Vivaldo – Memórias da Cidade do Rio de Janeiro – Coleção Rio 4 Séculos Vol. 3 – José Olympio - Rio de Janeiro – 1965.

De Aquino, Lia e Zilberberg, Sônia – Paquetá: Memórias da Ilha – Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro – DGPC – Coleção Bairros Cariocas, 1991.

Maurício, Augusto – O Solar D’El Rei – Imprensa Nacional – Rio de Janeiro, 1949.

REBELLO, Raymundo Fernando Sampaio – O BARÃO DE PAQUETÁ – Academia de Artes, Ciências e Letras da Ilha de Paquetá.

IBASE E AGENDA 21 da Ilha de Paquetá – ALMANAQUE DA ILHA DE PAQUETÁ - 2001

Observações: Os livros do Dr. Marcelo Cardoso sobre Paquetá, de uma maneira geral, podem ser encontrados no Rio de Janeiro, na Livraria São José, na Rua do Carmo, no centro da Cidade, ou em Paquetá nos pontos de informações turísticas da Paquetur: Quiosque da Praça Pedro Bruno e no varandão em frente à estação dos Aerobarcos, ou na Casa de Artes Paquetá.

O livro GUIA TURÍSTICO E HISTÓRICO DE PAQUETÁ, também do Dr. Marcelo Cardoso, assim como outras publicações deste autor, podem ser encontradas ou encomendadas na Livraria Papel Virtual telefone: 2239.0170 Ramais 2053 ou 2026, através do site http://www.papelvirtual.com.br ou diretamente pelo e-mail: editor@papelvirtual.com.br.

O livro de Vivaldo Coaracy - MEMÓRIAS DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO está esgotado e é encontrado somente em Sebos da Cidade.

O livro da Prefeitura: - PAQUETÁ: MEMÓRIAS DA ILHA, está esgotado e estamos tentando junto aos órgãos da Prefeitura uma nova edição.

O ALMANAQUE DA ILHA DE PAQUETÁ, produzido pelo IBASE e AGENDA 21 da Ilha de Paquetá, foram distribuídos para a comunidade e instituições da Ilha de Paquetá.

Todos estes livros estão à disposição para consulta na Biblioteca da Casa de Artes Paquetá.

A Paquetur e Paquetá Como Chegar / Horários Passeios / Serviços Restaurantes / Bares
Hotéis / Pousadas / Balneários Agenda de Eventos Exposições / Acervos Notícias da Ilha
Mapas Telefones Úteis O Bairro e Sua História Geografia / Economia
Patrimônio / Id. Cultural Legislação Específica Fórum de Debates Classificados
Parceiros / Links Fale Conosco

Casa de Artes Paquetá

Projeto Bem Me Quer Paquetá